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Pérolas III

Da curiosa série “Coisas que você encontraria nos livros traduzidos se não fosse o trabalho de copidesque”. Fiz o copidesque de uma obra literária outro dia. Dei de cara com a seguinte pérola de tradução:

“Ele aliviou o veículo pelo ombro e agarrou o volante com o braço.” (Em inglês: “He eased the vehicle over to the shoulder and draped one arm over the wheel.”)

(?????)

O que significa “aliviar o veículo pelo ombro”? O que me incomoda não é o erro (todos cometemos erros), mas a falta de sentido da frase em português e a cara de pau do tradutor de manter a frase sem sentido por preguiça de abrir o dicionário ou por pressa de terminar o trabalho.

A confusão é clara:

shoulder = ombro
shoulder = acostamento de veículos em estradas

Depois de passar por mim, a frase ficou assim: “Ele conduziu o veículo até o acostamento, parou e colocou um dos braços sobre o volante.”

É preciso ter muito cuidado ao traduzir, pois existem muitas palavrinhas perigosas por aí e precisamos estar atentos a elas, para não cometer esses “assassinatos da palavra”.

A revista NEXT Brasil número quatro publicou um resumo da minha monografia de final do curso de Administração.

Uma pequena amostra no site da revista:
http://www.nextbrasil.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=37&Itemid=27

Se quiserem me prestigiar e comprar a edição impressa, está à venda nas seguintes livrarias:

– FGV (Botafogo – RJ)
– Argumento (Leblon – RJ)
– Cultura (SP)
– La Selva (Rio, SP e outras cidades)
– Travessa (Ipanema – RJ)
– Leonardo da Vinci (Centro – RJ)

Espero que gostem!

Foi publicada pela BBC, de Londres, uma lista das dez palavras mais difíceis de traduzir, escolhidas por mil tradutores.

http://noticias.uol.com.br/bbc/2004/06/23/ult2242u116.jhtm

23/06/2004 – 01h41
Saudade ‘é a 7ª palavra mais difícil de traduzir’da BBC, em Londres

Uma lista compilada por uma empresa britânica com as opiniões de mil tradutores profissionais coloca a palavra “saudade”, em português, como a sétima mais difícil do mundo para se traduzir.

A relação da empresa Today Translations é encabeçada por uma palavra do idioma africano Tshiluba, falando no sudoeste da República Democrática do Congo: “ilunga”.

“Ilunga” significa “uma pessoa que está disposta a perdoar qualquer maltrato pela primeira vez, a tolerar o mesmo pela segunda vez, mas nunca pela terceira vez”.

Em segundo lugar ficou a palavra “shlimazi”, em ídiche (língua germânica falada por judeus, especialmente na Europa central e oriental), que significa “uma pessoa cronicamente azarada”; e em terceiro, radioukacz, em polonês, que significa “uma pessoa que trabalhou como telegrafista para os movimentos de resistência ao domínio soviético nos países da antiga Cortina de Ferro”.

Contexto cultural

Segundo a diretora da Today Translations, Jurga Ziliskiene, embora as definições acima sejam aparentemente precisas, o problema para o tradutor é refletir, com outras palavras, as referências à cultura local que os vocábulos originais carregam.

“Provavelmente você pode olhar no dicionário e (…) encontrar o significado”, disse. “Mas, mais importante que isso, são as experiências culturais (…) e a ênfase cultural das palavras.”

Veja a lista completa das dez palavras consideradas de mais difícil tradução:

1. Ilunga (tshiluba) uma pessoa que está disposta a perdoar qualquer maltrato pela primeira vez, a tolerar o mesmo pela segunda vez, mas nunca pela terceira vez.

2. Shlimazl (ídiche) uma pessoa cronicamente azarada

3. Radioukacz (polonês) pessoa que trabalhou como telegrafista para os movimentos de resistência o domínio soviético nos países da antiga Cortina de Ferro

4. Naa (japonês) palavra usada apenas em uma região do país para enfatizar declarações ou concordar com alguém

5. Altahmam (árabe) um tipo de tristeza profunda

6. Gezellig (holandês) aconchegante

7. Saudade

8. Selathirupavar (tâmil, língua falada no sul da Índia) palavra usada para definir um certo tipo de ausência não-autorizada frente a deveres

9. Pochemuchka (russo) uma pessoa que faz perguntas demais

10. Klloshar (albanês) perdedor

Anúncio de cerveja

Nunca ouvi falar na cerveja Carlton United (nem sou tão fã assim de cerveja para conhecer cervejas de outros países), mas recebi hoje um link para um comercial de cerveja e decidi partilhar com vocês. Achei sensacional!

Carlton United Big Ad

Fonte: Renata Grimberg

Prêmio Jabuti

O livro que ganhou o primeiro lugar no Prêmio Jabuti na categoria “Ciências Exatas, Tecnologia, Informática, Economia, Administração, Negócios e Direito” foi publicado por uma das editoras para as quais trabalho (M. Books).

Os 50 Mandamentos do Marketing – Francisco Alberto Madia de Souza

Fiz o copidesque de um outro livro do mesmo autor:

Marketing Trends 2005

Parabéns ao autor e à editora pela conquista!

Gerundismo

Ando sem tempo para escrever, mas recebi uma ótima matéria sobre o assunto:
http://revistalingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=10887

Fonte: Lista de tradutores.

Depois falo mais sobre o assunto. Continuo na correria! Para completar, levei uma mordida da Lady, minha cachorrinha (linda, mas revoltada) hoje à tarde, na hora de dar remédio. E ela gosta do remédio. Imagino se não gostasse… Antes que me perguntem, estou bem.

Pérolas II

Antes que me joguem todas as pedras que existem no calçadão de Copacabana, devo avisar que sim, eu cometo erros. Ninguém é perfeito. Mas minha intenção, com esta série de curiosidades, não é “meter o malho”, mas alertar as pessoas para os erros cometidos e tentar mostrar a melhor maneira de escrever ou dizer algo.

Estava passando pelo calçadão de Copacabana quando vi, num tapume cercando as obras da Prefeitura: “UMA PARCERIA PÚBLICA & PRIVADA”.

Da maneira como está escrito no tapume, temos duas parcerias: uma pública e uma privada (pública e privada seriam adjetivos do substantivo parceria).

A idéia do termo – por sinal, muito difundido mundo afora – é caracterizar uma parceria entre o poder público e o poder privado, para atuar nas áreas que o governo não consegue atender (não vou entrar no mérito político da questão).

O correto, então, seria: “UMA PARCERIA PÚBLICO-PRIVADO”, fazendo alusão aos dois poderes envolvidos na parceria.

Não é a primeira vez que vejo erros grosseiros em propagandas da Prefeitura do Rio de Janeiro, mas isso é assunto para outra pérola.

Pérolas I

Da curiosa série “Coisas que você encontraria nos livros traduzidos se não fossem os copidesques”.

Há algum tempo fiz um copidesque de um livro em que aparecia a seguinte pérola:

“Fulano queima o óleo da meia-noite em casa.” (Em inglês: “Fulano burns the midnight oil at home.”)

(???)

Achei que a tradução estava muito literal e não vi o menor sentido na frase em português. Fui confirmar no dicionário (Inglês-Português do Houaiss – editora Record) ou tentar achar uma frase que fizesse mais sentido em português.

Uma rápida consulta ao dicionário resultou em:

“to burn the midnight oil = trabalhar ou estudar até altas horas; queimar as pestanas”

Deixei assim: “Ele trabalha em casa até altas horas.”

Fiquei imaginando se tinha sido preguiça do tradutor ou se ele tinha usado o tradutor do Google.

Estava assistindo ao canal Warner outro dia e ouvi uma propaganda de E.R.:

“O Dr. XXXXX está apaixonado pela trabalhadora social.”

Meu marido, que não é tradutor, mas é brasileiro e sabe um pouco de inglês, olhou para mim com os olhos arregalados, sem dizer uma palavra.

Minha resposta ao choque: “Sim, meu amor, deveria ser assistente social.”

QUEM, em sã consciência, coloca no ar uma tradução de “social worker” tão literal?

O que me irrita é que as pessoas não percebem que não existe “trabalhador social” em português.

Como diz alguém da lista de tradutores, é caso de Procon.   ;)

Eu sei escrever

Campanha contra o mau uso da língua portuguesa na Internet. Participe!
Achei a iniciativa sen-sa-cio-nal! E o mais interessante é que partiu de uma comunidade tecnológica na Internet, a Fórum PCs.

Nós, tradutores e revisores, só fizemos reclamar, enquanto o pessoal da tecnologia se revoltou e criou a campanha. Parabéns a eles!

www.euseiescrever.com.br

A campanha é contra os “aki”, “naum”, “anxim”, “9dades” e outras barbaridades que se vêem por aí.

Leia mais:

Coluna do Bruno Parodi

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